Um vocabulário fechado, e por quê
Risco em cripto costuma ser discutido com palavras elásticas: “hack”, “exploit”, “rug”. Elas descrevem o sentimento do episódio, não o mecanismo - e um contrato de cobertura não pode ser escrito sobre sentimento.
Um vocabulário fechado resolve isso. Sete famílias, cada uma com um mecanismo próprio: falha de protocolo, falha de custódia, perda de paridade, falha de ponte, penalidade de validador, falha de exchange centralizada e uma sétima família aberta para riscos específicos que não cabem nas seis.
Fechar a lista tem uma consequência prática importante: uma cobertura só pode ser publicada dentro de uma das sete. Isso impede que apareça uma categoria nova que nenhuma página explica e que nenhum contrato define.
O eixo que separa as famílias: onde estava a confiança
A maneira mais útil de distinguir as famílias é perguntar em quem você estava confiando quando a perda aconteceu.
Se a confiança estava no código, é falha de protocolo. Se estava em uma empresa que guardava as chaves, é custódia. Se estava numa promessa de paridade, é depeg. Se estava na infraestrutura que move valor entre redes, é ponte. Se estava num operador de validador, é slashing. Se estava numa corretora centralizada, é falha de exchange.
Essa pergunta também revela concentração. Muita gente descobre, ao respondê-la para cada posição, que três exposições diferentes acabam apoiadas no mesmo terceiro - e concentração é o que transforma um incidente localizado em perda total.
Mapear antes de proteger
Antes de escolher qualquer cobertura, vale montar uma lista simples: cada posição, em que rede está, sob a guarda de quem, e a qual das sete famílias ela expõe você.
O exercício quase sempre produz duas descobertas. A primeira é uma exposição que ninguém tinha nomeado. A segunda é que parte do que parecia precisar de cobertura na verdade precisa de mudança de arranjo - e mudar o arranjo é sempre mais barato do que segurá-lo.